Aíla encarna versão feminina da lenda do Boto no clipe de ‘Água Doce’

Aíla encarna versão feminina da lenda do Boto no clipe de ‘Água Doce’

Cantora revela o primeiro single de seu terceiro álbum de estúdio

Aíla saiu da Terra Firme para mergulhar nas misteriosas águas que banham a Ilha das Onças em seu novo videoclipe, “Água Doce”, lançado nesta terça-feira, 30, no canal de YouTube da cantora (/ailaoficial) como o primeiro single de seu terceiro álbum, previsto para ser lançado no final de maio. Na produção, gravada na correnteza escura da Baía do Guajará, a cantora encarna uma figura mística envolvida em um jogo de sedução irresistível com uma bela ribeirinha, tudo embalado com um zouk romântico e envolvente, em uma atualização feminina do mito do Boto.


Aíla conta que usar essa lenda para falar de Amazônia e sedução foi praticamente inevitável, mas ela, como mulher contemporânea, feminista e lésbica, sentiu a necessidade de atualizar o mito e trazer um debate sobre as origens dessa alegoria que foi muito usada para esconder casos de abuso. “A gente sabe que essas lendas da Amazônia são uma fonte rica de conhecimento, mas a gente não pode esquecer que existem lendas usadas para mascarar comportamentos sociais. Eu sempre me incomodei um pouco com essa história do boto: o cara que sai do rio, galã, que engravida as mulheres e depois abandona. É uma lenda muito utilizada para justificar gravidez de mães solteiras pelo interior do Estado, pelo Norte, com casos de abuso na própria família”, conta Aìla, que explica que, ainda que esse tenha sido o ponto de partida e uma necessidade que ela e sua equipe sentiram, o objetivo era fazer um clipe leve, como a música pede.


“Eu por ser uma artista lésbica, naturalmente, essa narrativa converge para outra mulher, então ficou meio uma ‘bota’ lésbica [risos]. Mas não é o mote principal. Tem essa referência ali, muito Pará, muito a cara da Amazônia, mas é uma música pop, leve, de paixão, de mistério e sedução, que se passa no rio, se passa em uma aparelhagem”, explica a cantora, que também dirige o clipe ao lado de Roberta Carvalho, Vitor Nunes e Matheus Almeida. Em cena, Aíla entra nesse jogo de sedução com a atriz e modelo Mityzi Passos, convidada para dar vida à atualização com protagonismo feminino de uma das mais populares lendas brasileiras.


A faixa “Água Doce” foi produzida por Aíla ao lado da multi-instrumentista baiana Aline Falcão e Will Love, DJ e produtor de tecnobrega, em uma conexão total entre Pará e Bahia, apresentando uma mistura de ritmos e inspirações que devem permear todo o próximo álbum da paraense, que ainda não tem um nome definitivo e segue em produção.


“É um disco muito focado no som, tendo como mote misturar ritmos, com narrativas que passam pelo que a gente vive, como desilusão, amor, paixão, flerte. Vai ter música que fala sobre empoderamento da mulher, autoconhecimento, prazer. É um disco muito focado em fazer as pessoas dançarem, sorrirem, chorarem, se alegrarem. Nesse momento tão duro que a gente vive, no Brasil e no mundo, eu queria fazer um disco solar, e ao mesmo tempo, sempre com mensagens nas entrelinhas”, seduz Aila, deixando todos com vontade de mergulhar na doce água de sua música.

Fonte: oliberal.com

Herivan Pontes

Professor, Biólogo e comunicador.

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