A Lenda da Cobra Grande

A Lenda da Cobra Grande

HONORATO COBRA GRANDE

A Cobra Grande é um rapaz encantado, que vive no fundo do rio. Como descreve Machado (1987, p.34), a Cobra Grande pode ser uma cobra comum ou um encantado, isto é, pessoa que foi seduzida por botos ou eram levadas para o fundo das águas; o seu tamanho é superior ao de qualquer cobra vista já na Amazônia, as suas aparições nos rios deixam medo e temor, como descrito no livro de Machado (1987, p.34)

Quando querem ver o mundo, tomam forma de gigantescas cobras que passeiam a torna d´agua, cujo olhos, na escuridão, imitam focos de luz iguais aos faróis dos automóveis ou tomam forma de um navio todo iluminado, que desaparece momentaneamente e reaparece mais adiante, enganando os incautos.

Os antigos contam que Honorato e sua irmã são filhos de boto, e foram abandonadas às margens do rio, que as crianças foram pegas pela mãe-da-água que encantou e transformou em cobra grande. Para Câmara, no Paranã do Cachoeirí, entre o amazonas e o rio Trombetas, nasceram Honorato e sua irmã, Maria Caninana, a mãe sentiu-se grávida quando banhava-se no rio Claro, os filhos eram gêmeos e vieram ao mundo na forma de duas serpentes escuras, Honorato, o menino, transformou-se em uma cobra grande que ajuda as pessoas que estavam em perigo, sua irmã, Maria Nargita, ao contrário dele, era cruel impiedosa, adorava virar as embarcações por onde passa deixava seu rastro de destruição e maldade. Ela tinha prazer em ver as pessoas sendo tragadas pelas águas dos rios. A diferença de pessoalidade é marcante em suas lenda, a qual teve uma tragédia familiar envolvendo os dois irmãos.

A maldade Maria Nargita fez com que seu irmão a matasse, depois de percorrer vários rios da Amazônia, atrás dela, Honorato encontrou-a no momento que ela iria virar uma embarcação cheia de passageiros, então eles travaram uma imensa luta até resultar na morte de sua irmã. Como diz Serafim Antônio (2001, p.57) a luta foi renhida durante muitas e muitas horas, mas enfim, Honorato conseguiu matar a fera e livrar-se da fúria da endiabrada Maria Zargida; dizem que João Honorato, filho de boto, onde havia festas ele estava bebendo, dançando levava uma vida boêmia, possuía o poder de transformar-se em homem por ser filho de boto; outra lenda amazônica que se agrega à de cobra grande, explicando sua origem, dizia que seu encanto de homem durava até meia-noite, por isso vivia adulando um e outro para desencantá-lo.

O feitiço foi retirado por um rapaz que atirou em seu olho direito à meia- noite, onde passou os restos dos seus dias trabalhando como prático de navegação. Sabe-se que o Cobra Grande deu muitas outras origens a contos e crenças, espalhado na região amazônica. Dizem que na fábrica de bitar tem uma cobra muito grande; a filha cobra sai, mas se a mãe sair, a fábrica desaba. E, em Belém do Pará, dizem que tem uma cobra que o rabo dela está no mercado e outro na igreja, são muitas as histórias relatando de cobras gigantescas, tornando a de Honorato Cobra Grande a mais popular, mantendo a essência da cultura regional.

Herivan Pontes

Professor, Biólogo e comunicador.

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